Abandonada por seu leão, a flor ficou mal. Sofreu em silencio por dias, mas logo arrumou outros animais para usar: lobos, cachorros, corujas, gatos.. todos burros em sua essência, fáceis como o leão, mas mesmo assim não eram ele, pois faltava alguma coisa, mesmo que ela negasse.
A flor, que jurava que não correria atrás, correu novamente na direção das garras do Leão. Voltou para a mesma situação, mas numa rotina muito mais triste. Ela sentia falta dos velhos tempos de alegria e das velhas companhias que haviam sido levadas e que nunca mais voltariam. Seu lado sentimental vinha à tona, mas a flor, teimosa, não iria se deixar abater por aquilo.
Não havia como voltar no tempo: as velhas companhias seriam cada vez mais velhas, o leão não voltaria a ser o que foi e ela não podia olhar para trás. Por mais que não parecesse e por mais que a flor relutasse, seu presente e seu futuro haviam mudado e ela teria que se dedicar a sua nova rotina.
Olhando para frente, ela seguiu, foi se preparar para o seu futuro. Levou consigo suas dores, alegrias e seu maior amor: frustrado e provavelmente o único realmente verdadeiro. Era absurdamente difícil seguir com aqueles fardos, segredos, desconfianças, mas no fim, a flor seria sempre a flor. Animais não mudam, muito menos as plantas e a flor, a rosa, sabia fazer seus espinhos ferirem.
Apesar da aparência de forte, ela ainda não estava preparada. Ainda restavam duvidas sobre se seus planos dariam certo e ela não sabia se conseguiria viver sem o Leão. Entretanto, a flor sabia que, nesse momento, ela tinha que focar no que fazer para tornar seus sonhos reais. Era sua obrigação, sua salvação.

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